terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Os três pastorinhos e a Glória dos anjos rosados


Os três pastorinhos trabalharam nos campos arduamente todo o ano. No fim, pelos dias do Natal, Nossa Senhora apareceu-lhes. Mas, só dois pastorinhos a conseguiam ver. O outro não enxergava tamanha santidade. Ela prometeu-lhes milagres e previu-lhes futuros risonhos. Mas que não contassem ao terceiro. Pois ele era descrente na santidade das santas. Nunca poderia ele aspirar ao reino celestial por elas idealizado. Por elas prometido. Onde elas passam de andor, às costas dos pastores, fazendo milagres que só elas vêem. Mas como falam muito neles, os pastores chegam a acreditar. Os pastores sempre andavam unidos e confiavam uns nos outros. Dependiam uns dos outros. E por vezes, a força dos três juntos, não era suficiente para levar a bom termo as empresas que tomavam em suas mãos. Assim, foi-lhes prometido, a dois, que as empresas seriam de melhor resultado. Que deles seria a glória e que a Glória estaria sempre com eles. Mas, que renegassem o terceiro. Que esse os acompanhasse em silêncio. Porque esse nunca sentiria a força da Glória do seu lado. Porque esse seria transparente, translúcido, invisível e toda a sua obra esquecida. Tudo por falta de fé na Glória e nos anjos rosados.
No fim do dia, quando os pastores foram rezar. Os dois que viam a senhora rezaram a ela e aos anjos rosados e o terceiro, o que não via, pensou na força da amizade e do amor e de como tinha sorte por tê-los em sua vida.
Concretamente, eram os três pastores, eram os três companheiros, eram amigos. Só que dois passaram, a partir desse dia, a acreditar em santas e em anjos rosados. O terceiro, acreditava e rezava pelas pessoas.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

I shall not kneal before the cows


Já conheço o processo de cor e salteado. Mas custa sempre. Engolir sapos, tartarugas das galápagos, elefantes,... como custa.
Ora toma lá. Assim mesmo. Não mereces nem uma palavra. Engole esta. Porque sim. Porque achamos que sim. Porque embora faças sei lá o quê, achamos por unanimidade que o merecias. Porque nos faz crescer ver-te assim. Ajoelha-te porco infiel. Verga-te a nós. Baixa a cabeça. Pede licença. Rasteja até nós. Abandona o quarto de costas para a porta. Agradece a nossa iluminação. Prosta-te perante a nossa imensurável luz e saber. Suplica-nos. Treme perante nossa omnipotência. E no final de tudo, agradece por te pouparmos. Ou então sofre óh porco infiel. Renegado. Bastardo. Sofre e engole o nosso fel.
E o cavaleiro bebeu o fel. E o cavaleiro olho-as nos olhos enquanto o fazia. No final perguntou se havia mais.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Continuando...


Sentiu a grande cicatriz que lhe dava a volta ao pescoço com um leve passar com o indicador e lembrou-se.
Levantou-se nessa outra terra. Com essa outra espada. com essas outras cores. Olhou o sol. Olhou em volta. Era mesmo ele. Levantou a sua espada que era diferente da outra olhando para o punho, em frente aos seus olhos. Era mesmo diferente da outra da outra luta. Olhou o seu cavalo castanho agora pelo canto do olho agora azul.
Vale a pena. As cicatrizes... sim. Estavam lá todas.
Guardou a espada na baínha com um gesto rápido e saltou de uma vez para a sela do cavalo e atiçou-o com um toque vigoroso das esporas. O corcel soltou um relincho, levantou as patas da frente e lançou-se num galope desenfreado.
O cavaleiro sorria enquanto o vento lhe passava pela cara.
Que vontade nova.
"Só temos uma vida!" - pensou...

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Começou a queda. Greed...


Nem mais. Começa a definhar o Capitalismo. Começa a Democracia a ser desmascarada, pois não é verdadeira. Começa a ser impossível esconder a verdade. Chuparam-nos até o osso e agora não podemos dar mais. E eles não podem parar. Parar é morrer. E faltam-lhes já argumentos e desculpas e motivos.
Guerras para segurar o sistema, especulação nos preços do petróleo e até os desastres naturais têm sido escassos para justificar a recessão. O povo. Nós, estamos esgotados. Somos uva que foi espremida até a última gota. Não temos mais para dar. Todo o produto do nosso trabalho vai para subsistirmos. E o resto, os bancos comem. Pelos cartões de crédito, débitos directos, comissões, taxas, prestações, seguros disto e daquilo, etc, etc, etc.
Eles que não se queixem. Que aprendam em vez de arrancarem os cabelos. Que admitam que estiveram errados. Que inflacionaram tudo o que puderam para terem cada vez mais lucro. Agora, são os donos de tudo. Só que nós, o resto, não temos capacidade para comprar nada. Estamos a sobreviver. Estamos a lutar pelas migalhas que nos sustentam. E querem eles que nós compremos, que invistamos, que confiemos, que entreguemos. Para mim meus amigos, estou-me, sinceramente marimbando para esses senhores. O meu prejuízo está nas mãos deles. Se me tirarem a casa que lhes estou a pagar há 12 anos da qual ainda estou a pagar juros, vão me tirar uma coisa que nunca tive. Por isso. Bom proveito. Se calhar é melhor assim até. Que fiquem com mais uma casa para juntar aos outros tantos milhares que já lá têm e que foram em grande parte a causa desta queda. Tenho onde morar. Já o mesmo não podem dizer, outros tantos milhares de pessoas. E essas, tenho a certeza que não se vão marimbar. Os senhores políticos do mundo, que juraram defender os direitos, ansiedades, sonhos, as nossas vidas vão ter que mudar.
Este modelo económico morreu. Expirou o prazo de validade. A Democracia (que não o é realmente) também. E agora? Fica nas mãos desses senhores. Como vai ser? Vai ser a bem ou vai ser a mal? Uma coisa é certa. Vai ter que ser.

As vacas não vão para o céu



Recebi uma prenda de Natal fantástica. Desrespeito, desconsideração, garotice, acompanhados de falta de carácter. E estou aqui, sem uma palavra sequer. Mas estou aqui. Onde me querem. Superiores. Como pode um ser, ser superior com atitudes assim... As acções ficam com quem as pratica. A estes seres desejo as continuações dum bom Natal e uma boa entrada no ano novo. Que morram devagar e penosamente e sós quando chegar a sua hora. E que ardam em lume brando nos caldeirões do inferno para toda a eternidade. Ámen!
P.S. As vacas não vão para o céu.

domingo, 26 de dezembro de 2010

O Cavaleiro silencioso

Porque luta até o último folego por aquilo em que acredita e quer. Por aquele que sabe ser. Porque descobriu que só ele o sabia, quando já só faltavam tombar muito poucos dos muitos. Porque foi traído no final da batalha que, afinal sozinho, pelejava. Deixou-se cair de joelhos. Infâmia. A trespassante dor de não valer a pena. Deu o pescoço ao gume da espada que se baixava sobre ele. Não esboçou qualquer movimento de resistência ou para sequer se esquivar. Morro aqui. Aqui, já não mais vale a pena. Renasceu ali mesmo. Ainda a cabeça não tinha tocado a terra ensopada pelo sangue dos que tinha antes feito tombar. Levantou-se noutra terra. Com outra espada. Outras cores. Olhou o sol. Olhou em volta. Tudo era diferente. Mas tão familiar. Era ele. Mais uma vez era ele. E tudo pareceu valer a pena ali. Reparou na sua espada que era diferente da outra - a outra, da outra luta. E como o seu cavalo era castanho agora. E como eram azuis os seus olhos agora. E o cabelo preto, em vez do outro de cor de terra de Siena queimada. E como vale a pena. E como voltei a dormir pleno e tranquilo como antes já não era. As cicatrizes todavia, estavam lá todas. Tinha uma grande que lhe dava a volta ao pescoço. Sentiu-a com um leve passar com o indicador e lembrou-se.